quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sombra



A solidão é a minha sombra,
Segue-me rente ao corpo,
Alheia à luz durante o dia,
E quando anoitece,
Quando tudo é trevas,
Afoga-me.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

As suas mãos estão sangrando, Grande Capricórnio

Grande Capricórnio, as suas mãos estão sangrando...

Este poderia ser o seu último dia de vida, mas ele sacrificaria tudo, desde que fosse capaz de resistir a esta última provação. O seu café foi ralo, nada mais do que pão e queijo, exultante com a batalha, não tinha fome. Algum tempo depois seu servo vestia-lhe as peças da armadura. Todo o conjunto pesava pelo menos 28 kilos, o roupão de couro foi empapado em gordura para que as peças pudessem se mover com agilidade, o peitoral vermelho como sangue era preso a fivelas que astravessavam o seu corpo e uniam as partes das costas. O seu tórax e abdomem eram protegidos por chapas modeladas sobre-postas, costuradas internamente à um macacão de couro, que também sustentava o saiote de cota-de-malha, uma obra de arte diga-se de passagem, apesar dos anéis perderem a cor pratiada, não por desleixo, mas todos os cavaleiros sabem que o quão menos reluzente, apesar de pouco glorioso, a armadura estiver menor será a atenção atraída para si. As ombreiras grossas foram presas às juntas da pescoceira, e atadas por fivelas ao grande macacão interno, o calor fazia o nobre cavaleiro suar e arfar. Finalmente as ombreiras foram presas e todas as peças que protegeriam os membros foram postas corretamente nos seus devidos lugares.

O Cavaleiro de Sangue, como era conhecido, andou pesadamente, encorporando plentamente o deus Are, fora da tenda a manhã mal havia raiado e uma movimentação intensa enchia todo o perímetro do acampamento com os sons típicos de feiras, só que estes eram entre-cortados por cascos e metais em choque. Os senhores davam ordens aos seus cavaleiros, padres diziam as suas preces e faziam os seus cânticos, enquanto vendiam suas regalias sagradas que diziam proteger da danação eterna. Toda aquela atividade cansou os nervos do Cavaleiro de Sangue, todo barulho, por menor que fosse ardia nos tímpanos dos seus ouvidos alto e claramente, os seus sentidos explodiam em todas as direções absorvendo tantas informações que deixava o cérebro confuso. Era sempre assim, antes de cada batalha ele preferiria sempre a resignação, e só era visto nos últimos momentos antes da batalha assumindo estoicamente o seu posto. A realidade vivida por ele era tingida com novas dimensões, que iam além da distância, largura e tamanho do alvo. A adrenalina fazia o resto, alertando como um faról para onde e quando se mover.

Os que viam o Cavaleiro de Sangue lutar juravam que ele parecia um demônio, perfurando as frestas entre as armaduras inimigas, derrubando adversários praticamente com um único golpe e os anos acabaram por torna-lo um excelente assassino, os seus golpes eram quase displicentes, cheios de conhecimento e perícia militar, de modo tal que assustaria a muitos nobres inimigos, de honra inquestionável. Encontra-lo em um campo de batalha era assinalar a própia morte!

Mais toda Lenda que se prese possui um início dramático, uma ascenção gloriosa e uma queda tragicamente memorável; Toda Lenda incorpora os adjetivos dos arquétipos divinos, mas sempre irão se perder no mar da escuridão da vida humana. Portanto, essa história contém as três condições inerentes à condição humana: nacimento, crescimento e morte.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

The Heart Thief

Por: Felipe Mentianca

Retirei esta poesia do Blog: Estupido Pensar

Das dores lancinantes que percorrem a alma
Me lembrei durante esses dias que passaram
Sentia a dor fria que irrompia em minha mente
E o calor de minha alma se esvaindo livremente
Tentei agarrar com minhas forças o que restava de sentimentos
E senti que o vazio completava o vácuo criado em mim
Apontei para o ladrão que carregava meus sentimentos
E exigi em uma suplica escancarada
Que devolvesse aquilo que ele levava
Pois tais maldições não se devem ser espalhadas
Mas sim contidas na escuridão de cada ser
Ele riu de mim com seus dentes dourados
E o escárnio de suas palavras foram um alivio para meus ouvidos
Me informava então que o que me roubava
Não mais importava ao meu coração
Que tais sentimentos direcionados
Nunca mais voltariam a ser encontrados
Que a maldição que morava em minha alma
Era apenas mais uma das tantas outras que ele já havia levado
Dos sentimentos perdidos e mal gastos
Não sentiria falta jamais
E revelou que seu nome era tempo
E que levava de mim
O bom e o ruim
De mais um amor que enfim
Encontrei e não vivi.

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Ladrão de sentimentos, leve tudo, deixe nada, leiloo o meu espírito em troca de silêncio emocional.