terça-feira, 4 de março de 2014

Sobre a solidão no começo, da dor no meio e o final entre nós dois é um só...

Eu não temia a escuridão que escorria entre nós dois,
Mas isso foi antes. E da escuridão fizeram-se dois sóis.
Assim cresceu dançando de saudades...
Um universo com nebulosas brilhantes. E essas luzinhas
 São coisas com a luz própria. Assim, era tu que tinhas,

Nesse corpo brilhante, danças de tonalidades e sabias,
Pois ao falar contigo, a luz voltava e rebatia, em linhas
Que exploravam tão estranhas essa imensidão
Entre duas coisas que precisam ser um só. Eu já vinha
Mas tu ficavas, ninguém se encontrava, essa falta: ardia.

Pois esses dois sóis existiam separados. Assim, sou só,
Com um sol no céu e outro no peito. Para de pó em pó,
Fazer um deserto de coisas tristes...
E viver a fim de escalar essa montanha de coisas mortas,
Bebendo as próprias lágrimas, engolindo as tantas horas,

Que ao anoitecer, o sol é um vaga-lume. Quando é noite,
Esse sol secreto, amanhece do meu peito e com um açoite
A dor faz-se no céu a paixão entre nós dois... Explode!
Desse peito aberto, a solidão faz parecer, que tanto amor,
Que tanta saudade já não é quase nada. E escute o rumor

Dos ecos de coisas mortas, das faltas e entenda o absurdo
Disso tudo: é que te amo mas sou só.... Perdido, tão mudo,
Enclausurado num silêncio, turvo de empoeiradas culpas!
E não importa o quanto eu tente, aquilo que ergui por nós,
Tornou-se o monumento à nossa separação. E logo após....

Na curva onde dois impossíveis se encontram dois mundos nascem. Nesse lugar, onde dois sóis coexistem mas não se tocam, nem o calor se encontra e nem o brilho de qualquer coisinha namora, nessa intercessão encontrarás esse sonho que sonhamos ao mesmo tempo, mas que dele sempre despertaremos separados. Eu te amo, mas estou cansado de lutar uma guerra contra aquilo que não pode morrer, já que sou tão mortal e findo.








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