domingo, 2 de janeiro de 2011

Odi et amo. quare id faciam, fortasse requiris? Nescio, sed fieri sentio et excrucior.

Ele a observava, com olhos sérios e uma aparente calma... O seu rosto era uma máscara de apatia, uma estátua com o espírito em ira fremente. "Odeio-te e amo-te, sofro!", sussurrou. A sua mão roçou o cabo da navalha. Ira emudecida, uma tempestade sutil. O coração que batia, como estilhaços de um templo de cristal partido , construído para alguém especial, a rainha errada talvez? Não o sabe.
Em bramir doloroso, ele sentiu, os estilhaços se entrechocarem e perfurarem a caixa toráxica, afundarem-se na pele e penetrar docemente nos ossos. Dolorosamente perpétuo.
E desejou, conheceu Desespero. Ele sonhou, amou a Morte. E qual o destino para aqueles que viraram servos da própia Destruição? E afundando-lhe a lâmina na carne, mergulhou o seu amor na escuridão da noite humana. Acordou. Era apenas um pesadelo, ou seria um agradável sonho?

Odeio e amo, porquê, perguntar-me-ás. Não o sei, mas é assim que o sinto e sofro.



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