quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Separados


Entre escuridão e ermida - sonho profundamente
Com os olhos dela - nos meus lábios implorando
Entre trevas e luzes - para tentar calar o que resiste
Tentar calar - entre mordidas o que está desejando
Entre horizonte e silêncio - alienar-se ao tempo
A minha noite - a noite dela.

Com feixes quentes - amanhece em procela
Das distâncias errantes - encontram-se
No mesmo horizonte - dia com noite
Olhos desejosos - lábios desesperados!
Os meus desejos - o corpo dela.

Entre braços e pedidos - os corpos querem
Aproximando-se lentamente - anular a distância
Que esfria tanto - o coração a queimar
Doentemente incurável - rutila de saudades
A sublimar-se na proximidade - o tempo que separados
Os meus lábios dos dela - os olhos dela dos meus
Suportaram existir e nutrir-se - de carícias sutis.
..

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Introversão e Absinto

E o coração gelando,

O olhar fechando,

Com pensamentos opacos,

Nítidos como céus claros,

Destroçados por trovões

Enclausarando o sol em seus portões

No além-de-tudo, onde o tempo morre

Onde a vista não alcança e o tempo escorre

Um doloroso infrene passo,

Para o final de todas as canções - o último abraço.


-Desvanece o mundo...


Sinto a morte em um vento frio,

Vejo no fim um céu vazio.

Do passado sussuros frenentes

As estrelas à noite infinda jazem luzentes

Ecos fulgurantes de homens que se enlevam

Na escuridão da última hora, os sonhos levam

Em barcos prateados às praias eternas de um sonho esquecido

Para o que nunca foi sonhado, o sonho mais querido.

Encimado pela eternidade onde estrelas morrem

Vendo além de onde a vista alcança onde estrelas correm

Erradios ermos infrenes passos,

Para o final de todas as canções - o primeiros de muitos últimos abraços.


Sol enleda sonhos no mar d’outro dia e a Noite esquece o amanhecer.

Sonhos elevam-se entre nuvens no alvorecer.

Entre rastros de estrelas ecoa ária que renitentemente

Vibra para sempre em completude: pesar e alegria, nascer e poente.

Dos oceanos obscuros escuto histórias

Refletidas no espectro das ondas as memórias

Da época em que o mundo era jovem e ardia

E a água lutava com rocha liquefeita em ebulia.

As estrelas comentem suicídio, universo esfria,

No clangor da última noite luzem a noite em um desesperado último dia.

O alquebrante infrene último passo,

Para o final da Primeira Canção – e o fenecente Último Abraço.


- Obscuricidade das sensações...


E agora! Vago entre sombras, sombrio eternamente,

Consumindo a luz que refulgente

Debruça-me por sobre um chão desértico

E com réstia de humanas agonias e de deseperanças coberto

Olho desacreditado, a luz fria de um passado indeclinável

A estrela que brilha no horizonte morreu, vejo o tênue ensanguentável

Espectro amarelo e perdido,

Um terrível fantasma de mortalhas sussurrado,

Assombra o vazio, mais negreja que ilumina,

Fulgura o sombrio, para o vaticídio da ruína.

Dessangro-me em um infrene passo silente

Dor velada na profundeza dos campos turvos da minh’alma ignescente.