sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Histórias de amor duram apenas 90 minutos...

- Um ótimo filme, recomendo.


A sua vida é quase fio quebrado
Esticado até o máximo.
Por um triz,
Sempre em um singelo filamento

Buscando esperança em cada suspiro,
Desamoroso e lascinante,
Como uma nuvem fria e chuvosa,
Em todo novo romance de tão precipitado

Parece mais uma tempestade.
Um terremoto no fundo de um oceano
Tremendo o mundo por dentro de si
Fazendo da solidão uma tsunami.

A quietude de um amanhecer
Sustenido por olhos profundos
De clausura a sempre quase alquebrar.

Ouve Rachmaninoff e quase morre
Com o romantismo de Gustav Mahler,
Assovia ao compasso de Saint
E fecha os olhos, pois a vista rutila por Wagner.

Os acordes improváveis
Montam os tons impossíveis
E o mundo é um plano de fundo
Para tanta sublimação.

Quer mais sentir-se frio e esticado
Estando por um triz,
Como um singelo filamento sem forças
Forçando-se para ser quebrado.

E quem diria do teu afunilado anseio
Dos teus romances opacos
Vazio de qualquer sobriedade,
Morgando, finalmente, de wisky e cigarro...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sana me

Nas estrelas de capricórnio construí uma ermida,
Sem perceber que aquela estrela morria
Fiz do nosso romance uma lenta despedida
De luzes e pálidas feridas

Onde descansa o nosso amor,
Em uma estrela calada
E faminta por vida...
Que mingua sem calor.

De trágicas tormentas
Fizeram-se as nossas amarelecidas lembranças.
Quantas vezes te perdi... Tantas vezes, tantas!
E no meu último suspiro perguntarei: "Agora em que céu tu descansas?"

Amor, que por trevas além destes sóis terás percorrido?
Na luz do sol ferido e findado,
Nesta mesma luz terás sustenido
As inverdades deste fim merecido...?

Talvez quisera ter-te em meus braços
Fingir que o tempo se perdeu,
Ao som da tua voz, sabendo que o meu amor é todo teu;
Para quando nos separarmos a distância evidenciar os nossos laços.

Grande mentira!

E do nosso amor eu já sabia:
Do fim que ele teria,
Do ponto final que ele merecia
Até mesmo como a nossa estrela se perdia.

O nosso amor é puro futuro do pretérito
Do mais que imperfeito...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

16 poesias de amor e saudades...

E no dia que o nosso amor entardecer
Na mais pura falta,
Restará a mais doce hora,
Até um quedo amarelecer...
Vá! que o tempo já chora
E deixe um último beijo, para salvar e matar

As horas tardias
-Contadas a todo trépido momento-
Queria eu ter-te no presente para todo um futuro agora...
E jamais deixar-te ir, amada.

Lembre-se: dos últimos dias,
-Principalmente das primeiras noite de outrora-
De quando eramos novos, de como vencemos por vezes a madrugada;
E de como nos curamos nos braços um do outro do sôfrego esquecimento...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

17 poesias de amor e saudades



Draw with me?

A tela fria resume o nosso toque,
Nos une e evidencia a nossa distância;
Dá a forma aos nossos carinhos digitais...
E nos faz sonhar com um mundo melhor
Onde estaremos perto um do outro.

Agora, que não nos falamos, como será que ficaremos?
Tudo irá simplesmente terminar...?
Antigas promessas perderão o sentido, caindo vazias?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

1 segundo...


Daqui a 1 segundo...

Posso olhar nos seus olhos e ver que o nosso pra sempre terminou
Perceber que os nossos nomes nunca combinaram.
Entender que a nossa eternidade foi bem cronometrada
Delimitada por acédios e carícias, das mais diversificadas...

Daqui a 1 segundo...

Posso olhar nos seus olhos e ver que o nosso pra sempre é um eterno agora
Perceber que os nossos nomes terão os filhos com os sobrenomes mais perfeitos.
Entender que a nossa eternidade não pode ser mensurada
Delimitada ou compreendida, pois temos uma forma única de amar.

Esquecer que 1 segundo contém por uma abstração da realidade
Todas as possibilidades impensáveis das quais com certeza nunca me importei
Se o que existia era apenas um fósforo riscado ou erupção...
Pois amei e amo eternamente na plenitude do que é transitório.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fumaça III por Patrícia Clemente


Você, tabaco, amante compreensivo,

Completa o tempo, se ele se demora,

Conserva o gosto, se ele vem, lascivo,

Consola o corpo, se ele vai-se embora.

Te satisfaz deixar-me insatisfeita

A desejar-te, tola, em toda hora,

Na carne que te traga e que suspeita

Que ao possuir-te a vida joga fora

Prazer sublime, sórdida maleita,

Sutil perigo, pão que me devora,

Amor fatal de quem já não me privo.

Não te desfaço, sou por ti desfeita,

Hostil amigo desse ser cativo,

Amável matador de quem te adora.



Ai adorado,

Como um deus te faço, tua vontade a minha.

Como um deus te faço, um mundo pra mim.

Como um deus te faço:

Sabes,

Melhor que eu mesma,

O que está em mim.

Como um deus te faço:

Sabes,

Melhor que eu mesma,

O melhor pra mim.


Não quero o mundo tal como eu desejo:

Se eu ouço um grito eu sonho um mundo negro

E vou tramando horrores em segredo,

A dor excita a minha alma impura.

Na intimidade sei: sou obsessiva:

Meu coração me diz: sê compassiva

Mas só na lágrima é que fico viva,

Desesperada por novas torturas

Na intimidade sei que sou maldita:

Me dá prazer ver toda carne aflita,

Correr o sangue pela pele nua.

Minha bondade é pura hipocrisia:

A dor preenche, o amor me faz vazia.

Dou ao diabo o deus que me fez crua.



Há putas para todos os formatos,

Há uma puta para cada serventia,

Há putas caras, putas sem sapatos

E eu, que sou a puta da poesia.

Faço comércio de emoções baratas

Em versos bem rimados e escandidos,

Abro meu sexo em rimas não cognatas,

Quadris por decassílabos movidos,

Ponho por preço aprovação abstrata,

Aplaudam!, mesmo quando imerecido.

Há putas prenhas, putas menstruadas,

Putas casadas fazem sexo com o marido,

Algumas castas, outras afetadas:

Eu sou a puta do meu coração ferido.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conversa comigo, Lua?


O meu coração bate, Contando as certezas E redime-se nos seus compassos em falso... Quando a noite acorda, E a lua conta-me incertezas Pergunto-me com quantos passos errados Sou capaz de fazer um certo. Percebo com cuidado, As sutilezas que sustentam Em um singelo equilírbio Verdades e inverdades todas em uma doentia expiação. O meu coração bate, Contando-me uma série de falsidades E os meus sentimentos já quedam Em um raiar do dia.