terça-feira, 16 de março de 2010

Não posso descrever-te a dor, a minha especialidade é apenas senti-la.


Esperança.... Não sabes, talvez, mas o mundo como que se tornando apenas uma superfície reflectora torna-se plano de fundo para ti, pois já perdi a esperança, já te perdi, e o mundo como uma superfície reflectora morreu. "Adeus"- Não existe abstracção tão sólida quanto a ausência implícita nesta palavra, não como um faltante, mas sim como uma cadência, uma queda, uma escada até o porão. " Desespero"- Foi o que senti, como a sensação de um passo em falso na escuridão, o pé afundou no que era sólido e parecia ser chão, desespero, é cair e não ter onde se segurar, desespero é querer e não ter mais ninguém para chamar, desespero, é gritar o único nome que não se poderia dizer, o único que não nome que não quer se ouvir, o único nome que não irá retornar e desespero é ter medo do único destino óbvio, o fim, a queda do céu ao chão. Quando o corpo vibra tão absurdamente baixo que a realidade experimentável é uma conjunção de pestilência e o comum e rotineiro. Quando o corpo não passa de um pedaço de carne que dói, o espírito fica preso, se confunde ao respirar, quer gritar, quer sentir ódio, precisa se mutilar, qualquer coisa para fazer a dor parar. Ser uma falta, dizer adeus para o desespero é tornar-se desespero e ser um abismo, para cair em si... "A quem interessar... O mundo é negro, cercado por um odor de decomposição, nada mais faz sentido, antes, manter-se ocupado era o suficiente para parar de sentir a totalidade dessa dor, que esmaga o coração, que afunila os sentidos em uma contradição: ' Este é o momento de maior sofrimento, não suporto mais.' Isso tudo para perceber que a dor apenas aumenta, o sofrimento é um momento sustenido de calamidade quando o Ego se desfaz em uma implosão negra de dor, o corpo se contorce na cama, a voz não sai... a dor não para, pois isto é vácuo, um volume que me contém de ausência de matéria e energia em no espaço." ***Terraço*** - Engraçado, eu tinha medo das alturas, mas o mundo é tão pequeno daqui de cima, acho que sempre soube... que as alturas seriam o caminho para quebrar o meu corpo, a chave para a minha libertação, por isso temia. Depois de 3 passos, aqui nessa ponta, a coragem falha, não é difícil Giorgio, apenas se empurre, sinta a queda e guarde a sensação, tudo terminará em alguns segundos, crie uma música sobre como foi cair durante 19 anos, escreva uma canção que comece com Esperança, continue com um Adeus, que desemboca em um Desespero oceânico e termine assim. Então... Caí.

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