domingo, 21 de março de 2010

Ensaio sobre o suicidio


Engraçado... Recomendo que antes ler escute esta música: Dust in the wind( vide o link Youtube)

Escrevi uma carta pequena, com menos de 2 páginas, uma carta endereçada à minha vida, uma última carta, uma carta que conteria plenamente todos os consequentes que implicam em uma avaliação psicológica onde se diria que contém os termos que qualificam, qualificação dramática na minha opnião, como uma “ carta suicida”.

Pensei que a vida não caberia naquelas palavras, os meus olhos choraram lágrimas, daquelas lágrimas cansadas, lágrimas estas que escorreram por um rosto sóbrio e são que para alguns seria um rosto comum, até um rosto feliz, como uma máscara de bronze, um rosto pesado, estático por uma força que falha a cada instante e são nestes falhos instantes que as lágrimas cansadas quedam, pois bem... Nesta minha pequena carta endereçada a uma forma ideal, vide “ vida”, não seria capaz de conter ou mesmo transpassar toda a minha dor ou mesmo descrever o frio que sinto no peito, que é uma mistura de grito contido com uma pitada de desesperança com flocos de outorgado silêncio e um toque final de desespero, ou mesmo solidão, ou o gosto amargo de pensar que suportei 19 anos disto, para alguns a solidão é um motivo tolo para se matar ou mesmo que sou jovem em demasia para agir tão precipitadamente, não se esqueça, o meu Ego é um rutilante passo em falso nessa precipitação de circunstâncias e a mocidade que persiste em ludibriar ao obsservador não passa de um reflexo da minha condição humana que não se esgota em um sentido mensurável, não podendo ser compreendido fora de uma metafísica que aceite a “Alma”.

Não escrevo tristemente, nem digo para aqueles desesperados, que pensam compreender o que sinto, que o suicídio é a solução para uma vida de desesperança. O suicídio é o caminho mais seguro e rápido para um tormento secular, para aqueles Egos humanos que não compreedem a própia mesquinharia, não espero um céu de ouro ou mesmo o tormento infinito cristão, aceito este caminho pois aceito lucidamente as suas implicações, mais 70 anos de tormento, onde a minha carne apodrecerá, onde o meu espírito, que persiste em pensar que ainda está vivo sentirá fome e sede, lutarei para sentir menos dor, em meio a milhares de outros seres que em sua agonia tentam causar dor e mágoas maiores do que as própias como que uma saída para o própio tormento, quem sabe, eu arda em um planeta gasoso durante todo este tempo, ou mesmo que a super gravidade de um astro me esmague durante todo este tempo... enfim, o meu karma seria suportar o sofrimento, aceitar a escuridão que fulgura neste arco-íris de cores invertidas que só eu sinto, que só eu vejo... Mas não aguento... Atenho-me a cada momento feliz, a cada carinho, a cada “ eu te amo, Giorgio” como o andarilho que vaga sozinho em um deserto escaldante, que viu na amizade o remédio momentâneo para uma sanidade constipada, enfim... Obrigado meus amigos, não existe dor que resista ao paraíso que vocês me proporcionaram.

Enfim( novamente), pularei metade da carta que não possue nada que seja realmente memorável ou digno de reconhecimento, esta última parte irá para os meus familiares terrestres, que tentaram criar um ambiente seguro e saudável para a minha estada nestes curtos e sofridos 19 anos, não existe palavra que defina o que sinto que não seja um aparentemente simples: Obrigado. Creio que tive nesta vida muito mais do que mereço, realmente, creio que faltei com abraços, carinhos e preocupação, tomei tudo e possivelmente destrui as suas vidas, não pedirei perdão agora, nos encontraremos mais tarde e conversaremos tudo o que temos que conversar, estaremos livres do pesado Ego, adeus.

Eu gostaria de contar todas as pessoas que amo, mas seria inútil realmente, amo às almas, aquilo que realmente são, um nome não pode conter toda a expressão singular da maravilha que vocês construíram, sem perceber, para o meu coração, então... meu irmão de outras vidas: Renato( nem sabes como me tiravas da escuridão, salvastes a minha vida milhares de vezes, sou infitamente grato, nem sei como pude encontrar alguém como você, que mesmo sendo um bobo às vezes trás brilho, um brilho humilde, daqueles que merecem palmas sem querer); o amor da minha vida e todos os tempos: Jakeline( desculpa ir primeiro... mais estarei te esperando, ficaremos juntos novamente, para sempre, não poderei te acompanhar nesta vida, estarei pagando a minha penitência, mas te amando, sempre); a minha amada amiga: Denise( o mundo brilha profundamente perto de ti,desculpa entrar na tua vida assim... desculpa, por favor, não ser capaz de te confortar como você me confortava, de te fazer feliz como você me fez, desculpa ir embora, desculpa ter dito adeus); meus amados pais: Antônia e Erivaldo( obrigado...obrigado, obrigado, obrigado, por todo o amor, por todo o carinho, por toda a preocupação, obrigado, mil vez obrigado, desculpa não ter dito isso quando pude, desculpa correr dos seus abraços, desculpa as minhas ofensas, desculpa por tudo).

Adeus, Giorgio A. Hayden

PS: Morro, não em ódio, apenas pela dor, mais a dor, diferente do amor, não dura para sempre.

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